O vidro é um material sólido, amorfo e geralmente transparente, formado pelo aquecimento de sílica (dióxido de silício, SiO₂), encontrada na areia, a cerca de 1.700°C, seguida de resfriamento rápido para evitar a cristalização. Sua história remonta a cerca de 3.500 a.C., na Mesopotâmia e no Egito, onde era moldado em contas e pequenos objetos. Inicialmente, a produção era artesanal, usando fornos rudimentares e sopradores de vidro, técnica aprimorada pelos romanos no século I a.C. com a invenção do sopro em moldes.
Quimicamente, o vidro é uma mistura de sílica com óxidos como sódio (Na₂O) e cálcio (CaO), que reduzem seu ponto de fusão e aumentam a durabilidade. Aditivos como óxido de chumbo dão brilho (cristal), enquanto cobalto ou ferro alteram sua cor. Sua estrutura amorfa, sem ordem molecular fixa, o diferencia de cristais, conferindo versatilidade e fragilidade.
Na Idade Média, o vidro ganhou destaque em vitrais góticos, como os da Catedral de Chartres. A Revolução Industrial, no século XIX, trouxe a produção em massa, com máquinas como a prensa de vidro e, mais tarde, o processo float (vidro plano sobre estanho fundido), inventado por Alastair Pilkington em 1959. Hoje, o vidro está em janelas, embalagens, fibras ópticas e telas de smartphones (ex.: Gorilla Glass).
Reciclável infinitamente sem perda de qualidade, o vidro é sustentável, mas sua produção consome muita energia. Tipos especiais, como o temperado (mais resistente) e o borossilicato (suporta altas temperaturas), atendem a usos específicos, de carros a laboratórios. Curiosamente, o vidro "flui" ao longo de séculos, como visto em janelas antigas ligeiramente deformadas, um mito parcialmente verdadeiro devido à viscosidade extrema em estado sólido. Assim, o vidro une história, ciência e funcionalidade cotidiana.